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domingo, novembro 16, 2008

ENTREVISTA - Die Art

Transitando livremente pela fronteira nebulosa que separa - ou não - gêneros como o indie, synthpop e pós-punk, o duo gaúcho MetroidE, formado pelo casal Wagner e Celia, tem muito em comum com a veterana banda alemã Die Art. Essa afinidade deu total autoridade para a banda entrevistar o vocalista H. Makarios com conhecimento de causa. O resultado você vê aqui e na versão impressa da próxima edição do Overclock Zine.


O Die Art começou como uma banda punk. Como acontenceu a transição para o estilo atual da banda? As mudanças de formação ao longo dos anos influenciaram esta mudança?

Sim, começamos como uma banda punk, sabendo três acordes e gritando mais que cantando.
Mas não queríamos nos limitar a esse ponto. A influência de outras bandas que evoluiram a partir do punk também foi forte. Então tentamos começar a fazer mais do que éramos capazes. E consguimos ir além, e buscamos nosso estilo próprio. Mudanças de formação também foram importantes, com os gostos de cada novo membro se incorporando à nossa música. E após alguns anos o Die Art tornou-se uma banda que se distingue na sonoridade e nos vocais.

E o público acompanhou essas mudanças?

A maior parte do público nos seguiu nessa evolução. Quando começamos a fazer música, a situação política era difícil na Alemanha Ocidental e a cena underground crescia rapidamente. A cena acabou se dividindo em uma vertente política e não-comercial verdadeiramente underground de um lado e em uma cena independente tradicional do outro. O Die Art nunca foi uma banda de luta política, queríamos seguir o nosso caminho. Houve um período no início dos anos 90 em que cometemos o erro de abusar de elementos pop do mainstream. esse foi o único período em que nosso público se afastou, mas rapidamente voltamos a nossas raízes e recuperamos a maioria desses fãs.

Como funciona o processo de composição? E de onde vem a inspiração para as letras?

Há três caminhos. Em um deles um membro da banda tem uma idéia e nós fazemos uma canção juntos a partir dela. No segundo, alguém produz a demo em casa e o restante da banda apenas toca a música. No último eu tenho a letra e ela inspira a música. Geralmente eu tenho primeiro a música e é ela que inspira a letra. Mas eu estou sempre escrevendo letras mesmo sem a música. Escrevo estórias e poemas. e minha inspiração vem da vida, do amor, do aprendizado. E incluo "imagens escritas" , por vezes com um toque de surrealismo.

E como você se sente durante a finalização de uma gravação? É algo particularmente gratificante ou apenas faz parte do processo de estar em uma banda?

Finalizar uma gravação é um momento muito gratificante. Vamos a um pub e celebramos o novo bebê! E de fato faz parte do processo de estar numa banda. Por vezes já não suporto mais ouvir minha música, e é uma grande felicidade quando acabamos a produção!

Qual o tipo de reação que vocês esperam do seu público?

De início esperamos que o público siga nossa evolução artística. E caso siga, esperamos que muitos compareçam aos shows. E claro, espero que se sintam como eu. Alguns vezes os fãs nos dizem isso, e sabemos que a nossa música atingiu seus corações. E não ficaremos chateados se todos comprarem o disco!

Há planos para uma tour fora da Europa?

No momento estamos tocando apenas na Alemanha. Com planos para a República Tcheca e Suiça, mas ainda assim, só Europa.

Nos digam cinco bandas com as quais gostariam de dividir o palco.

Primeiramente eu gostaria de tocar com a banda de um grande amigo, chamada Freunde der italienischen Oper, mas a banda se extinguiu há uns dois anos.
A segunda banda é a Fliehende Stürme, com a qual fizemos o primeiro show após uma parada de 6 anos. É uma banda punk dark e algumas das suas letras estão entre as melhores letras em alemão que conheço. E algo bem fora da realidade: tocar com Interpol ou Editors. É um outro patamar. E uma quinta, também bem fora da realidade, seria tocar com Wipers ou Greg Sage.

Como vêem a cena européia e alemã? Há união entre as bandas?

Eu acho que há várias cenas. Punk, Gothic, Metal, Guitar-Pop... talvez bandas dentro de uma cena em particular estejam unidas. Fazemos parte de algumas cenas e de outras não. As cenas se sobrepõem em suas margens. É aí o nosso lugar. É difícil dizer como as cenas funcionam, muda bastante de um país para outro. Mesmo dentro da Alemanha é diferente do ocidente para o oriente. Há várias cenas locais e regionais e muitas bandas tem problemas tocando fora de suas cidades. Por exemplo, Leipzig (a minha cidade) fica a apenas 100km de distância de Dresden. Mas é possível para uma banda famosa em Leipzig ser totalmente desconhecida em Dresden.

O que há de bom em ser uma banda alternativa?

É a nossa vida. Temos uma banda para tocar a música que gostamos. Sem empresários que nos digam o que fazer ou não. Colocamos nas músicas e nas letras o que sentimos. Podemos ser autênticos e nossos fãs gostam disso.

A internet é cada vez mais importante na difusão do trabalho das bandas. Como se sentem sabendo que são ouvidos por públicos distantes, como o brasileiro?

É realmente impressionate. E nós subestimamos isso algumas vezes. Mas é um sentimento bom, que nossa música encontre lugar em outros países, outros idiomas. A música é a linguagem.

Deixem uma mensagem para os fãs brasileiros.

É o mesmo que digo para os fãs na alemanha. Vivam suas vidas, carreguem o coração em suas mãos, mantenham a sensibilidade e enxerguem sob a superfície! Desfrutem da nossa música! E muito obrigado!

Die Art no MySpace

terça-feira, março 11, 2008

INTERPOL - Our Love to Admire Tour 2008 - Buenos Aires.

[fotos: Wandeclayt M.]

Eu estava em Buenos Aires para ver o show dos alemães do And One, ainda inconformado por ter perdido na semana anterior o show do De/Vision ali mesmo em Buenos Aires e o do Dive no Brasil. Sabia que uma semana depois eu também estaria choramingando por não ver o Interpol em sua passagem por São Paulo, Rio e BH. Mas nem tudo estava perdido! Pois não é que folheando a edição de sexta-feira do Clarín, em meio a notícias de conflitos entre Colômbia, Equador e Venezuela, descubro que o quarteto de Nova York faria uma escala em Buenos Aires no sábado!

A apresentação no suntuoso Teatro Gran Rex, a duas quadras do imponente obelisco da Avenida 9 de Julio, tinha poucos ingressos disponíveis e nenhum muito perto do palco. Acabei conseguindo um lugarzinho no segundo piso com uma boa vista para o palco.

Bem, aquilo era um teatro, mas esperar que o público permanecesse sentado durante o show já seria esperar demais... sobretudo nos petardos C'mere e Slow Hands.


As projeções e a bela e bem sicronizada iluminação de palco foram a contrapartida visual para um show sonoramente perfeito: ótima qualidade do equipamento de som, canções bem executadas e uma banda carismática e entrosada.

Daniel Kessler, guitarrista e fundador da banda, dá um show à parte com sua coreografia entre mestre sala e dançarino de tango.

A voz de Paul Banks ao vivo não deve nada aos trabalhos de estúdio.A guitarra de Kessler, assim como o baixo de Carlos Dengler e a bateria de Sam Fogarino são muito bem tratados durante todo o show e é impossível destacar algum dos instrumentistas em detrimento dos outros.


SETLIST | 08.03.08

Pionner to the Falls
Obstacle 1
C`mere
Narc
Pace is the Trick
Say Hello to the Angels
Leif Erikson
Mammoth
No I in Threesome
Slow Hands
Rest My Chemistry
Lighthouse
Evil
Heinrich Maneuver
Not Even Jail

NYC
Stella Was a Diver and She Was Always Down
PDA