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sexta-feira, setembro 02, 2011

Years ahead of its time: Harry - Genebra (live @ Brazilian TV)

If there's something that can cost you really high is being far ahead of your time. Being a pioneering artist must be the hardest path to track, but it's hard to avoid it when real talent is involved. Brazilian industrial/synthpop/electro-rock band Harry is a canonical case of pioneering leading to oblivion. Their fusion of beats, experimentalism and guitars may sound common place to fans of nowadays hyped bands, but back in the '80s they were unique in the genre and despite becoming a cult among alternative listeners they never really succeeded in the mainstream. Sadly, they were too good for radio.

In this video , Harry announces their second full lenght release Vessel's Town (1990) and performs Genebra, from their 1988 album Fairy Tales at the tv show Boca Livre hosted by Kid Vinyl. Their full discography has been rereleased in a fancy luxurious box entitled Taxidermy by Fiber Records in 2005.

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Anos à frente de seu tempo: Harry - Genebra (ao vivo no programa Boca Livre)

Existe algo com um custo realmente alto na arte: estar à frente de seu tempo. O pioneirismo é um caminho duro e tortuoso, mas inevitável quando o talento o impele nessa direção. Um caso canônico de pioneirismo levando ao ostracismo é o da banda santista de industrial/synthpop/electro-rock Harry. Sua fusão de batidas, experimentalismo e eletrônica pode parecer lugar comum para os fãs de bandas sintonizadas com as tendências atuais, mas no fim dos anos 80 o Harry é praticamente único nesta vertente e embora tenha se tornado um cult entre fãs de música alternativa, nunca chegou a estourar comercialmente. Infelizmente eram bons demais para as rádios.

Neste vídeo o Harry anuncia seu segundo álbum - Vessel's Town (Stilleto, 1990) - e toca Genebra, do primeiro álbum - Fairy Tales (Wob Bop, 1988) - no programa Boca Livre, apresentado por Kid Vinyl. A discografia completa do Harry foi relançada no luxuoso box Taxidermy em 2005 pelo selo Fiber Records.


segunda-feira, julho 30, 2007

Brasil, o Túmulo da Boa Arte



(por HansenharryEBM*)

1989- O jornalista Alex Antunes viaja a Portugal com uma pilha de discos embaixo do braço, de grupos alternativos brasileiros (Akira s e as Garotas que Erraram, Fellini, Harry, Voluntários da Pátria, etc). Um dos lojistas ao se deparar com o Fairy Tales, do Harry, murmura: “Este cá, nós já conhecemos”.

1994- Antes do show do Depeche Mode, o DJ Fabio Spavieri entrega a Martin L. Gore vários discos da cena electronica brasileira. Gore segura o Fairy Tales e diz: “Esse eu conheço”.
Porque então, apesar desse reconhecimento, não tenho nem dinheiro para almoçar hoje?

Eu nunca fui lá muito modesto em relação a qualidade do meu trabalho, assim como também em reconhecer a excelência da cena electronica brasileira desde seus primóridios ( yours truly, Símbolo, Loop B, Morgue, Security Device, Aghast View, Self, Pitch Yarn of Matter, Resonate e tantos outros) até hoje (ainda yours truly, rsrs, Homicide Division, Aire´n ´terre, Shellcode, Klaustrophobik, 3 Cold Men, Pecadores, Dead Jump, Digitaria, Montage, Multiplex e dezenas de outros). No entanto, nenhum deles ganha a vida com seus excelentes trabalhos, enquanto excrescências como a lacraia, vivem pelos Hiltons da vida, antes de se apresentar para um bando de ignorantes que consomem qualquer merda que lhes seja impingida.

Armações não são prerrogativa dos brazucas, estão aí as vagabundas tipo Avril e Britney que não me deixam mentir, enquanto aqui suas contrapartes Kelly kKey e Putty desfrutam de fama e fortuna. Mas a partir de que pelo menos lá fora existe uma estrutura alternativa para bandas que, se não ficam famosas e milionárias, conseguem viver do que produzem,aqui esse espaço é tomado por verdadeiros acintes como a supra citada lacraia, Tati Quebra-barraco (a bosta que cago é capaz de fazer melhor que aquilo) ou mesmo nulidades que a crítica tenta travestir de arte “séria” (céu, Maria Rita).
A net até democratizou um pouco as coisas, hoje é mais fácil expor um trabalho, porém fazer com que a manada o escute é mais complicado, um bando de zumbis sem a mínima opinião própria e que hoje até se orgulha de seu semi analfabetismo, como se escrever certo fosse motivo de vergonha.

As grandes gravadoras, que ajudaram a criar esse cenário caótico, hoje afundam na própria lama, já que mataram o conceito de álbum e hoje a grande maioria não tem senão uma pasta desorganizada de musicas soltas em seus I_tunes.

Francamente, não vejo solução imediata para essa crise, mas uma luz no fim do túnel nos foi dada em 1997 por um simples ladrão, que ao assaltar num posto de gasolina o então presidente da Sony desferiu-lhe 5 tiros na barriga. Ali mesmo, vislumbrei uma possível salvação para nossa indústria fonográfica: 5 tiros na barriga de cada um e está tudo resolvido...

[*HansenharryEBM é frontman/vocalista/guitarrista da pioneira banda eletrônica santista Harry e também destila sua música no projeto-solo Bad Cock.]